O Caminho do Tarot
A palavra Tarô tem suas raízes no vocabulário do antigo idioma egípcio. Tar (caminho, rota) e rho (rei, real). Desta forma seu significado torna-se: o caminho real ou caminho verdadeiro. O caminho pelo qual o homem percorre é o que são expressos pelas imagens, colocadas em forma de cartas, que fazem a representação do acervo mental, emocional e psicológico da memória comum a todos. Esta memória pode ser chamada também de inconsciente coletivo. Um tarólogo, através de observação, estudos e meditação cotidiana, passa a enxergar os estágios representados através das cartas. Ao mesmo tempo, auxiliar construtivamente ao consulente, de modo a entender, o momento vivido e a maneira como podem direcionar suas ações e suas escolhas.
O Tarot abre portas interiores que nos ajudam a descobrir e entender mais sobre nós mesmos. Ele é um companheiro de viagem, uma luz e um mestre espiritual para guiar aquele que busca as respostas para as perguntas essenciais da vida, vida esta às vezes tão difícil de entender e decifrar, cheia de experiências, relações e descobertas.É inegável que muitas pessoas têm uma certa curiosidade em relação as cartas, mas também preconceito. O Tarot é muitas vezes associado a charlatanice, ou então a um objeto envolto numa aura misteriosa demais para ser de bom tom consultar. Aquele mesmo mistério que ronda a morte, o mundo dos espíritos, as coincidências inexplicáveis que a vida nos prega e os fenômenos sobrenaturais que causam temor só em pensar que podem existir de fato. É importante lembrar que a ignorância cria lendas que nada tem a ver com a verdade, e o Tarot, ao contrário disto, está profundamente mergulhado na VERDADE.
O Tarot se divide em 78 cartas, onde 56 são chamadas de arcanos menores e 22 de arcanos maiores.
Podemos começar a vislumbrar os significados ocultos nas 22 cartas dos arcanos maiores do Tarot. Assim sendo cada arcano nos olha e nos avalia. Quando nós (O Louco inconsciente) olhamos a carta, ela devolve o olhar. Quanto mais fundo buscamos entendê-la, mais para dentro de nós mesmos ela nos remete, fazendo um arco de auto-descoberta sem fim e maravilhoso. Os arcanos entabulam uma conversa reservada com o buscador e o buscador se debruça para o mundo que o arcano representa. Aquele que olha para a carta e vê muito mais que um desenho, uma cor, um número e um nome, mergulha de fato na sua tridimensionalidade e, aos poucos, bem aos poucos, vai percebendo que existem mais dimensões sobre si mesmo e o mundo. Descobre que tudo está interligado.
Nós somos o Louco, mas também vamos descobrindo que somos, ou podemos ser, cada uma das cartas na jornada da aprendizagem.
Nesta primeira linha aprendemos inúmeras coisas, entre elas que a alma se individualiza, descobre que é necessário entender o mundo em que vive, começa a perceber o corpo, a matéria e a paisagem na qual está inserida, descobre o limite, a autoridade e sente necessidade de construir algo. Luta para discernir o que é o bem e o mal e aprender a escolher. Se a escolha for correta, a alma (que ainda está insconsciente de seu poder e origem) será vencedora. Do contrário terá, mais cedo ou mais tarde, que refazer o caminho.
Há camadas e camadas de interpretações e é evidente que cabe a cada um fazer o seu contato e descoberta com o Tarot, se possível orientado por um Mestre. Porque o Tarot nos ensina através de símbolos, numa linguagem ancestral e nada direta. Ele precisa ser desvelado por aqueles que o respeitam e buscam pela verdade, acima de toda ilusão. O papel da ilusão é tentar o buscador e ela fará isso em cada esquina da vida, em cada ensinamento das cartas.
Mas o caminho é apenas sussurrado pelos arcanos, demonstrado também em sonhos e na vivência prática. É a prática, o estudo e uma vontade de aço do buscador que poderá desvelar o mistério.